Sexta-feira a noite e Mariana não tem nada para fazer. Sem paciência para assistir TV, resolve se entupir de Chandelle sabor chocolate branco. Está no terceiro potinho quando o telefone toca. É o seu melhor amigo, chamando-a para o cinema. Feliz, ela agradece a boa sorte e o amigo querido, que sempre parece adivinhar quando ela sente-se sozinha.
Satisfeita, apronta-se rapidamente e tem uma agradável noite por umas duas horas e meia. Na volta para casa, resolve abrir seu coração e comenta:
- Você é maravilhoso, sabia? – fala suspirando – Se você fosse hétero, seria perfeito para mim.
- Não comece a me dizer gentilezas que essa saidinha hoje tem um preço – rebate Bernardo com expressão divertida.
- Preço? Mas eu paguei a minha entrada e tudo que eu comi, não estou entendendo, Bernardo. E pare de me olhar com essa cara de Jack Nicholson, pelo amor de Deus.
- Não é em dinheiro que você vai me pagar por eu ter te tirado da sua vidinha monótona em plena sexta a noite. É com um favor. Você vai ter que fazer um favorzinho para mim, certo?
- Certo. Depois você me diz o que você quer que eu faça – murmurou enquanto colocava o cinto de segurança.
Foi então que Mariana desejou ter ficado em casa com o Chandelle. Sem nenhum pudor, Bernardo comunicou que o favor seria feito imediatamente. Nada de muito preocupante, segundo ele, ela apenas teria que ir na locadora que freqüentavam – a única aberta aquela hora da noite – pegar um filme pornô gay de marinheiro para ele. Tudo simples e rápido. Apavorada, Mariana ainda tenta retrucar:
- Meu Deus, Bernardo. Eu nunca tive coragem de pegar um filme pornô para mim e você quer que eu pegue um filme pornô para você? E um filme pornô gay! Sem chances.
- Não é uma opção, Mariana, você vai ter de pegar. Eu preciso demais ver um filme pornô gay cheio de marinheiros másculos esta noite. Você sabe muito bem o quanto é difícil ser gay nesta cidade. Eu não posso pegar, todos nesta locadora me conhecem. Você precisa me ajudar, eu imploro.
Pressionada e sensibilizada, Mariana respira fundo e tenta se preparar emocionalmente, enquanto estaciona o carro em frente a locadora. Descendo do carro, ela arruma a roupa e tentando aparentar uma calma que não sente, caminha para dentro da loja com a cabeça baixa. Ao entrar e levantar a cabeça, leva um susto. Nunca tinha notado antes, mas todos os funcionários eram homens, com um sorriso sem graça perambula pelos corredores, tentando encontrar a seção dos pornográficos. Não encontra. Aproximando- se do balcão para pedir ajuda, olha para todos os rostos ansiosos por ajudar e intimamente torce:
- Que não seja aquele mais bonito que venha me atender, que não seja aquele mais bonito que venha me atender – repete mentalmente, como um mantra absurdo.
Surte efeito, mas o contrário, com um sorriso cordial, o mais bonito vem atendê-la. Com uma voz que mais parecia um sussurro, Mariana explica que estava constrangida mas que precisava pegar um filme pornô, que não achou a seção e que queria que ele mostrasse discretamente a ela. Sem expressar surpresa, o rapaz mostra discretamente uma estante meio escondida, já bem no final da locadora. Ela então o segue e ele aponta para uns cinco ou seis DVDs, dizendo que todos aqueles eram muito bons.
Com vontade de morrer, mas não antes de matar Bernardo que sorria no carro, Mariana diz que precisa de um filme pornô gay de marinheiro. Sem esconder o choque, o mais bonito a olha seriamente e diz:
- Bom, desculpe mas eu não sei se tem filme pornô gay de marinheiro. Os filmes pornôs gays ficam aqui nessa parte – fala mostrando um canto da estante.
Só de olhar para as capas, Mariana já sente seu rosto corar. Estende a mão e a esmo escolheu um filme qualquer, enquanto pensa: filme pornô gay de marinheiro o caramba, aquele gay desgraçado do Bernardo que se contente com qualquer um.
Na volta para o balcão, ela sente todos os olhares nas suas costas, parece que todos os clientes sabem de qual seção ela estava saindo, e com a cara mais inocente que consegue fazer, agradece o mais bonito, pega a sacolinha com o filme e volta para o carro. Com toda a força que tem, joga o filme na cara de Bernardo e o manda para o inferno.
Satisfeito, Bernardo sorri, antevendo o prazer que sentirá, e olha dentro da sacola. Então Mariana tem o momento mais glorioso do seu dia. Estupefato e decepcionado, Bernardo dá um grito que poderia ser de dor: o filme pego ao acaso nada tinha de marinheiro, nada tinha de másculo, era um sósia do Michael Jackson, vestido de Jane (sim, a mulher do Tarzã) semi nu e com um sorriso gigante. O mesmo sorriso que Mariana estampa no rosto enquanto liga o carro e dirige contente.
Satisfeita, apronta-se rapidamente e tem uma agradável noite por umas duas horas e meia. Na volta para casa, resolve abrir seu coração e comenta:
- Você é maravilhoso, sabia? – fala suspirando – Se você fosse hétero, seria perfeito para mim.
- Não comece a me dizer gentilezas que essa saidinha hoje tem um preço – rebate Bernardo com expressão divertida.
- Preço? Mas eu paguei a minha entrada e tudo que eu comi, não estou entendendo, Bernardo. E pare de me olhar com essa cara de Jack Nicholson, pelo amor de Deus.
- Não é em dinheiro que você vai me pagar por eu ter te tirado da sua vidinha monótona em plena sexta a noite. É com um favor. Você vai ter que fazer um favorzinho para mim, certo?
- Certo. Depois você me diz o que você quer que eu faça – murmurou enquanto colocava o cinto de segurança.
Foi então que Mariana desejou ter ficado em casa com o Chandelle. Sem nenhum pudor, Bernardo comunicou que o favor seria feito imediatamente. Nada de muito preocupante, segundo ele, ela apenas teria que ir na locadora que freqüentavam – a única aberta aquela hora da noite – pegar um filme pornô gay de marinheiro para ele. Tudo simples e rápido. Apavorada, Mariana ainda tenta retrucar:
- Meu Deus, Bernardo. Eu nunca tive coragem de pegar um filme pornô para mim e você quer que eu pegue um filme pornô para você? E um filme pornô gay! Sem chances.
- Não é uma opção, Mariana, você vai ter de pegar. Eu preciso demais ver um filme pornô gay cheio de marinheiros másculos esta noite. Você sabe muito bem o quanto é difícil ser gay nesta cidade. Eu não posso pegar, todos nesta locadora me conhecem. Você precisa me ajudar, eu imploro.
Pressionada e sensibilizada, Mariana respira fundo e tenta se preparar emocionalmente, enquanto estaciona o carro em frente a locadora. Descendo do carro, ela arruma a roupa e tentando aparentar uma calma que não sente, caminha para dentro da loja com a cabeça baixa. Ao entrar e levantar a cabeça, leva um susto. Nunca tinha notado antes, mas todos os funcionários eram homens, com um sorriso sem graça perambula pelos corredores, tentando encontrar a seção dos pornográficos. Não encontra. Aproximando- se do balcão para pedir ajuda, olha para todos os rostos ansiosos por ajudar e intimamente torce:
- Que não seja aquele mais bonito que venha me atender, que não seja aquele mais bonito que venha me atender – repete mentalmente, como um mantra absurdo.
Surte efeito, mas o contrário, com um sorriso cordial, o mais bonito vem atendê-la. Com uma voz que mais parecia um sussurro, Mariana explica que estava constrangida mas que precisava pegar um filme pornô, que não achou a seção e que queria que ele mostrasse discretamente a ela. Sem expressar surpresa, o rapaz mostra discretamente uma estante meio escondida, já bem no final da locadora. Ela então o segue e ele aponta para uns cinco ou seis DVDs, dizendo que todos aqueles eram muito bons.
Com vontade de morrer, mas não antes de matar Bernardo que sorria no carro, Mariana diz que precisa de um filme pornô gay de marinheiro. Sem esconder o choque, o mais bonito a olha seriamente e diz:
- Bom, desculpe mas eu não sei se tem filme pornô gay de marinheiro. Os filmes pornôs gays ficam aqui nessa parte – fala mostrando um canto da estante.
Só de olhar para as capas, Mariana já sente seu rosto corar. Estende a mão e a esmo escolheu um filme qualquer, enquanto pensa: filme pornô gay de marinheiro o caramba, aquele gay desgraçado do Bernardo que se contente com qualquer um.
Na volta para o balcão, ela sente todos os olhares nas suas costas, parece que todos os clientes sabem de qual seção ela estava saindo, e com a cara mais inocente que consegue fazer, agradece o mais bonito, pega a sacolinha com o filme e volta para o carro. Com toda a força que tem, joga o filme na cara de Bernardo e o manda para o inferno.
Satisfeito, Bernardo sorri, antevendo o prazer que sentirá, e olha dentro da sacola. Então Mariana tem o momento mais glorioso do seu dia. Estupefato e decepcionado, Bernardo dá um grito que poderia ser de dor: o filme pego ao acaso nada tinha de marinheiro, nada tinha de másculo, era um sósia do Michael Jackson, vestido de Jane (sim, a mulher do Tarzã) semi nu e com um sorriso gigante. O mesmo sorriso que Mariana estampa no rosto enquanto liga o carro e dirige contente.
