Cresceu ouvindo a tia falar em carestia. Vira e mexe estava a tia reclamando que o ordenado não dava mais para nada. Tudo culpa da carestia. Na sua inocência juvenil, não entendia muito bem o que era carestia e nunca conseguiu uma explicação clara, até aquele dia.
Saíram de casa, a menina, sua tia e o cachorro, em direção ao shopping. A menina ia atentamente olhando a rua, enquanto segurava seu cachorro. Até que pararam em um sinal de trânsito, pertinho do Estádio Machadão. Foi então que ela presenciou um surpreendente e esclarecedor diálogo.
Aproximando-se do carro, um rapaz pediu a sua tia:
- E aí, dona? Tem um trocado para mim?
Com a voz meio sem jeito a tia se desculpou dizendo que não tinha. Não convencido, ele insistiu:
- Nem cinqüenta centavos? Eu estou morrendo de fome, não consegui ganhar dinheiro nenhum hoje.
Novamente a tia se desculpou, torcendo para o sinal ficar verde, ainda ouviu:
- Então se você não tem dinheiro, me dê esse cachorro.
Assustada a menina agarrou ainda mais forte o seu bichinho, enquanto sua tia colocava novamente o carro em movimento. Olhando de lado, sua vozinha infantil perguntou o que tinha sido aquilo no sinal. Sem pestanejar, a tia prontamente respondeu:
- Aquilo foi a carestia, querida. A carestia!
Saíram de casa, a menina, sua tia e o cachorro, em direção ao shopping. A menina ia atentamente olhando a rua, enquanto segurava seu cachorro. Até que pararam em um sinal de trânsito, pertinho do Estádio Machadão. Foi então que ela presenciou um surpreendente e esclarecedor diálogo.
Aproximando-se do carro, um rapaz pediu a sua tia:
- E aí, dona? Tem um trocado para mim?
Com a voz meio sem jeito a tia se desculpou dizendo que não tinha. Não convencido, ele insistiu:
- Nem cinqüenta centavos? Eu estou morrendo de fome, não consegui ganhar dinheiro nenhum hoje.
Novamente a tia se desculpou, torcendo para o sinal ficar verde, ainda ouviu:
- Então se você não tem dinheiro, me dê esse cachorro.
Assustada a menina agarrou ainda mais forte o seu bichinho, enquanto sua tia colocava novamente o carro em movimento. Olhando de lado, sua vozinha infantil perguntou o que tinha sido aquilo no sinal. Sem pestanejar, a tia prontamente respondeu:
- Aquilo foi a carestia, querida. A carestia!
