segunda-feira, 16 de junho de 2008

Amigos e favores: o filme pornô

Sexta-feira a noite e Mariana não tem nada para fazer. Sem paciência para assistir TV, resolve se entupir de Chandelle sabor chocolate branco. Está no terceiro potinho quando o telefone toca. É o seu melhor amigo, chamando-a para o cinema. Feliz, ela agradece a boa sorte e o amigo querido, que sempre parece adivinhar quando ela sente-se sozinha.
Satisfeita, apronta-se rapidamente e tem uma agradável noite por umas duas horas e meia. Na volta para casa, resolve abrir seu coração e comenta:
- Você é maravilhoso, sabia? – fala suspirando – Se você fosse hétero, seria perfeito para mim.
- Não comece a me dizer gentilezas que essa saidinha hoje tem um preço – rebate Bernardo com expressão divertida.
- Preço? Mas eu paguei a minha entrada e tudo que eu comi, não estou entendendo, Bernardo. E pare de me olhar com essa cara de Jack Nicholson, pelo amor de Deus.
- Não é em dinheiro que você vai me pagar por eu ter te tirado da sua vidinha monótona em plena sexta a noite. É com um favor. Você vai ter que fazer um favorzinho para mim, certo?
- Certo. Depois você me diz o que você quer que eu faça – murmurou enquanto colocava o cinto de segurança.
Foi então que Mariana desejou ter ficado em casa com o Chandelle. Sem nenhum pudor, Bernardo comunicou que o favor seria feito imediatamente. Nada de muito preocupante, segundo ele, ela apenas teria que ir na locadora que freqüentavam – a única aberta aquela hora da noite – pegar um filme pornô gay de marinheiro para ele. Tudo simples e rápido. Apavorada, Mariana ainda tenta retrucar:
- Meu Deus, Bernardo. Eu nunca tive coragem de pegar um filme pornô para mim e você quer que eu pegue um filme pornô para você? E um filme pornô gay! Sem chances.
- Não é uma opção, Mariana, você vai ter de pegar. Eu preciso demais ver um filme pornô gay cheio de marinheiros másculos esta noite. Você sabe muito bem o quanto é difícil ser gay nesta cidade. Eu não posso pegar, todos nesta locadora me conhecem. Você precisa me ajudar, eu imploro.
Pressionada e sensibilizada, Mariana respira fundo e tenta se preparar emocionalmente, enquanto estaciona o carro em frente a locadora. Descendo do carro, ela arruma a roupa e tentando aparentar uma calma que não sente, caminha para dentro da loja com a cabeça baixa. Ao entrar e levantar a cabeça, leva um susto. Nunca tinha notado antes, mas todos os funcionários eram homens, com um sorriso sem graça perambula pelos corredores, tentando encontrar a seção dos pornográficos. Não encontra. Aproximando- se do balcão para pedir ajuda, olha para todos os rostos ansiosos por ajudar e intimamente torce:
- Que não seja aquele mais bonito que venha me atender, que não seja aquele mais bonito que venha me atender – repete mentalmente, como um mantra absurdo.
Surte efeito, mas o contrário, com um sorriso cordial, o mais bonito vem atendê-la. Com uma voz que mais parecia um sussurro, Mariana explica que estava constrangida mas que precisava pegar um filme pornô, que não achou a seção e que queria que ele mostrasse discretamente a ela. Sem expressar surpresa, o rapaz mostra discretamente uma estante meio escondida, já bem no final da locadora. Ela então o segue e ele aponta para uns cinco ou seis DVDs, dizendo que todos aqueles eram muito bons.
Com vontade de morrer, mas não antes de matar Bernardo que sorria no carro, Mariana diz que precisa de um filme pornô gay de marinheiro. Sem esconder o choque, o mais bonito a olha seriamente e diz:
- Bom, desculpe mas eu não sei se tem filme pornô gay de marinheiro. Os filmes pornôs gays ficam aqui nessa parte – fala mostrando um canto da estante.
Só de olhar para as capas, Mariana já sente seu rosto corar. Estende a mão e a esmo escolheu um filme qualquer, enquanto pensa: filme pornô gay de marinheiro o caramba, aquele gay desgraçado do Bernardo que se contente com qualquer um.
Na volta para o balcão, ela sente todos os olhares nas suas costas, parece que todos os clientes sabem de qual seção ela estava saindo, e com a cara mais inocente que consegue fazer, agradece o mais bonito, pega a sacolinha com o filme e volta para o carro. Com toda a força que tem, joga o filme na cara de Bernardo e o manda para o inferno.
Satisfeito, Bernardo sorri, antevendo o prazer que sentirá, e olha dentro da sacola. Então Mariana tem o momento mais glorioso do seu dia. Estupefato e decepcionado, Bernardo dá um grito que poderia ser de dor: o filme pego ao acaso nada tinha de marinheiro, nada tinha de másculo, era um sósia do Michael Jackson, vestido de Jane (sim, a mulher do Tarzã) semi nu e com um sorriso gigante. O mesmo sorriso que Mariana estampa no rosto enquanto liga o carro e dirige contente.

sexta-feira, 23 de novembro de 2007

Carestia

Cresceu ouvindo a tia falar em carestia. Vira e mexe estava a tia reclamando que o ordenado não dava mais para nada. Tudo culpa da carestia. Na sua inocência juvenil, não entendia muito bem o que era carestia e nunca conseguiu uma explicação clara, até aquele dia.

Saíram de casa, a menina, sua tia e o cachorro, em direção ao shopping. A menina ia atentamente olhando a rua, enquanto segurava seu cachorro. Até que pararam em um sinal de trânsito, pertinho do Estádio Machadão. Foi então que ela presenciou um surpreendente e esclarecedor diálogo.

Aproximando-se do carro, um rapaz pediu a sua tia:
- E aí, dona? Tem um trocado para mim?
Com a voz meio sem jeito a tia se desculpou dizendo que não tinha. Não convencido, ele insistiu:
- Nem cinqüenta centavos? Eu estou morrendo de fome, não consegui ganhar dinheiro nenhum hoje.
Novamente a tia se desculpou, torcendo para o sinal ficar verde, ainda ouviu:
- Então se você não tem dinheiro, me dê esse cachorro.

Assustada a menina agarrou ainda mais forte o seu bichinho, enquanto sua tia colocava novamente o carro em movimento. Olhando de lado, sua vozinha infantil perguntou o que tinha sido aquilo no sinal. Sem pestanejar, a tia prontamente respondeu:
- Aquilo foi a carestia, querida. A carestia!

segunda-feira, 22 de outubro de 2007

Engano

A pior hora para ser acordado é mais ou menos uma hora após o começo do sono. O corpo já está entrando em um relaxamento total. Já sabe que não é um simples cochilo. Foi nesse momento que Mariana foi acordada naquele domingo sem graça. Já tinha deitado há algum tempo e entrava na gostosa parte do sono profundo quando o celular tocou, deixando-a desnorteada.

Ela demorou alguns segundos para entender que ruído era aquele e mais uns tantos outros para tateando achar o celular na bagunça de seu criado-mudo. Abriu um olho e tentou enxergar o número que estava ligando. Não estava em sua agenda mas era levemente familiar. Balbuciou um alô e ouviu uma voz animada mas que de imediato não reconheceu:

- Mariana, meu amor!
- Quem é?
- Sou eu, Felipe, está lembrando não?
- Mais ou menos, o que você quer?
- Minha gostosa, me diga onde você está e eu vou aí te ver agora.
- Você está louco ou isso é um engano.
- Como assim engano, minha paixão? Deixe de ser má, me fale logo onde você está e vamos nos encontrar bem gostoso.
- Oras, engano engano... Você pretendia ligar para uma outra Mariana, porque eu não faço idéia de quem você seja.
- Não pode ser engano se o seu nome está aqui no meu celular.
- Mas é, eu não sou essa Mariana que é seu amor, sua gostosa ou sei lá o quê. Você ligou para a Mariana errada.
- Então prove que você não é a minha Mariana.
- Eu não tenho que provar nada, você é um doente, vá se tratar e pare de ligar para as pessoas a essa hora da noite, seu tarado juvenil.
- Ahá! Olha a prova que você sabe quem sou eu.
- O quê?
- Você me chamou de tarado juvenil, então me conhece, porque eu sou tarado e sou novo, um tarado juvenil.

Com um suspiro e lembrando quem era esse Felipe, Mariana respirou fundo e com uma voz ameaçadoramente baixa, disse:
- Olha, não é preciso ser um gênio para deduzir que você é um tarado juvenil. Você me liga super tarde, me chamando de paixão, querendo fazer gostoso comigo, com uma voz alterada, arfando... Só poderia ser tarado.
- Mas você também disse juvenil, como explica isso?
- Muito mais simples ainda, sua atitude é típica de adolescente, nenhum homem se comportaria assim. Além do mais, agora nos últimos minutos, eu estou relembrando de você.
- Não disse? Você estava aqui na minha listinha especial. Eu só não lembro onde você mora, me diga e eu vou te buscar.
- Felipe, eu não estou na sua listinha especial, o contato que eu tive com você foi outro. Seu pai me comprou um filhote de cachorro, algo estritamente comercial. Lembra agora que Mariana sou eu?
- Lembrei! Mas eu não lembro mesmo onde é a sua casa, explica para mim e vamos juntinhos dar umas risadas do meu engano.

sexta-feira, 12 de outubro de 2007

Passado sexual

Tentava a todo custo não se deixar influenciar por sua melhor amiga. Mas quase sempre era em vão. Tudo o que Sandrinha mandava, Telma fazia. Foi assim que começou uma das mais estapafúrdias idéias da Sandrinha sobre relacionamentos, dizendo que os parceiros deveriam saber tudo da vida um do outro, inclusive com quantas pessoas cada um já tinha feito sexo.

Pensativa, a influenciável Telminha foi para casa. Definitivamente não ia se deixar levar pelas insensatas idéias da amiga. O que poderia acrescentar em uma relação saber do passado sexual do outro? Nada, nada mesmo. Dessa vez ela ia se comportar como uma adulta e esquecer tudo o que ouviu. Resoluta, ela foi se arrumar para encontrar o seu amor.

Cinema. Massa. Sobremesa no apartamento de Miguel. Lá tinham mais privacidade. Observador, ele a tinha notado meio distante, até um pouco taciturna. Mas sabia como ela poderia ser infantil às vezes e decidiu não tocar no assunto.

Percebendo que ele não ia comentar nada, Telma resolveu desabafar.
- Querido, não sei se você percebeu, mas eu passei a noite inteira meio encucada com algo.
- Com o quê? Estamos tão bem, você é a mulher da minha vida, o meu amor, eu quero passar o resto da vida com você. Só temos coisas boas para enumerar.
- Mas eu preciso fazer uma pergunta para você e é muito importante que seja sincero.
- Certo, qual a pergunta?
- Eu quero, não, eu preciso saber com quantas mulheres você já dormiu – falou olhando bem nos olhos dele – só assim poderemos dar um passo a frente no nosso relacionamento.

Miguel suspirou e mentalmente contou até 10. Sempre se surpreendia com Telma. Já tinha pensado mil vezes em deixá-la. O problema é que a amava muito e nunca conseguiu ir adiante. Mas era muito desolador esperar toda semana por mais uma das loucuras dela e a cada dia tinha menos paciência.

- Não vejo em que isso interfere ou possa vir a interferir na nossa vida, meu bem.
- Mas eu vejo, Miguel. Não me enrole, é uma pergunta muito simples, eu não quero os detalhes ou os nomes, eu só quero o número. Se você quiser pode até escrever em um pedaço de papel e me entregar. Um simples número, se você me ama tanto quanto diz, isso não é nada. É uma ínfima prova de amor.
- Meu Deus! Agora virou prova de amor? Eu estou ficando cheio das suas insanidades e não vou arriscar a perdermos tudo o que temos.
- Vai perder se não responder.
- Você está me ameaçando? Chantageando? O que está acontecendo? E se eu não estiver dentro do seu parâmetro? E se você achar que tive poucas ou muitas?
- Eu só quero saber, o número não vai influenciar em nada.
- Então você não precisa saber de nada, deixe disso e deite aqui no sofá comigo, vem...
- Não, eu quero saber. Não quero homem gasto. Você deve ter algo a esconder se não quer responder.
- Não tenho nada a esconder, é só algo íntimo e que não vem ao caso. Sexo não gasta, isso não existe.
- Gasta e desgasta. Eu não quero mais saber de você.
Telma foi embora deixando um Miguel boquiaberto. Ele sabia que ela voltaria, talvez até mesmo no dia seguinte. Entretanto sabia que passaria a noite angustiada, fazendo milhões de falsas associações, imaginando coisas que não existiam e, principalmente, que ao menos nesta noite ficariam sem o bom, mesmo que desgastado, sexo deles.

terça-feira, 2 de outubro de 2007

Língua de lixa

Com sua mania de analisar ambientes e situações, Mônica de imediato percebeu o tímido rapaz, de sorriso sem jeito, escondido pelos cantos do pub. Alto, magro, ombros largos e com lindos olhos verdes. Era, sem dúvidas, o homem mais bonito da noite e estava sozinho. Sem acreditar na própria sorte, ela foi em busca de sua melhor amiga, para colher mais informações e juntas traçarem a estratégia da investida.

- Lu, acabei de ver uma obra prima, pertinho do banheiro, venha comigo, quero que você o veja também e me assessore – disse aos berros enquanto puxava a amiga pelo braço.
- Qual deles é?
- Aquele ali, de camiseta verde, está vendo? Você o conhece?
- Conheço – confirmou sem entusiasmo a amiga – é o Gabriel língua de lixa.
- O quê? Conte isso direito, não me mate de angústia.

Revirando os olhos, Luciana contou detalhadamente que Gabriel era conhecido por ter uma língua grudenta e áspera. Fato esse provado e comprovado por todas que ele já tinha beijado.
- E olhe que foram muitas, a notícia da incomum língua de lixa correu a cidade e todas queriam testar.
- Todas queriam? Por quê? É gostoso o beijo? Afinal é uma língua especial, essa língua de lixa, deve fazer coisas maravilhosas – falou uma novamente animada Mônica, enfatizando bem o maravilhosas.
- Dizem que é nauseante o beijo. Não sei assim outras coisas, aparentemente ninguém avançou o sinal com ele.
- Luciana, me conte direito. O que tem de ruim em um beijo com língua de lixa, por que falam tão mal dele?
- Ah, Mônica, eu não sei, eu não o beijei, mas todo mundo que beijou odiou. Se você está tão curiosa, vá lá e o beije, tire logo essa dúvida, vá sentir aquela língua áspera e pegajosa grudando na sua.
- Calma, calma, não precisa se exaltar. Eu já acreditei que seja ruim esse beijo do língua de lixa, não quero mais experimentar não. Mas ele é tão lindo que eu estou pensando, será que se eu falar com jeitinho, ele se incomoda de pularmos os beijos e eu testar essa língua em outras partes?

sábado, 29 de setembro de 2007

Sobre a superficialidade do amor

- Oi, amiga. Desculpe por te ligar tão cedo – disse apressadamente.
- Tudo bem, eu já ia acordar mesmo – respondeu de forma resignada a amiga sonolenta.
- É que eu precisava contar uma coisa para você. Ontem eu fui a festa da Bia e o Guga estava lá. Nem te conto, foi tudo tão maravilhoso, ele me chamou para dançar, olhava nos meus olhos, me abraçava. Foi lindo.
- E então? Vocês ficaram? Era essa a coisa que você tinha para me contar?
- Não ficamos, tenha calma, eu ainda nem falei das nossas roupas e da minha maquiagem, você é muito ansiosa, Vá.

Com um suspiro, Valéria resolveu fingir interesse e ouviu por mais quarenta minutos todos os detalhes sobre a roupa da amiga, do Guga, da Bia e de todos os outros 16 convidados da festa.

- Na hora que ele falou da cor da saia eu tive certeza que ele estava apaixonado, Vá. Homem só repara em cor de roupa quando ama. Mas como ele não se decidia e eu não quis forçar a barra porque sou cautelosa, decidi esperar por hoje de manhã cedo.
- Como? Hoje de manhã cedo? O que ia haver hoje de manhã cedo? A festa varou a noite?
- Não, claro que não, festa em dia de semana termina cedo. Só você que acorda tarde em plena quarta-feira. Eu desde a dança de ontem só pensava nele e decidi ir hoje cedo no trabalho dele, para resolver nossa situação.
- Você está louca? Que situação? Vocês dançaram apenas. Meu Deus do céu. Diga-me, você mudou de idéia, não é? Não foi a trabalho a nenhum, certo?
- Errado. Eu fui. Passei em uma livraria no caminho, comprei um cartão e fui ao trabalho dele.
- O que tinha no cartão?
- Um urso segurando um coração.
- Sim, mas o que você escreveu?
- Eu escrevi que o amava em várias cores diferentes. Comprei as canetinhas coloridas na livraria também.

Em choque, Valéria calou-se. Não sabia o que falar. Com dó da amiga, teve um lampejo de esperança, talvez tivesse surtido efeito, afinal ela ligou tão empolgada. Resolveu finalmente quebrar o silêncio e com uma voz que mais parecia um sussurro, perguntou?
- E?
- Bom, o Guga é um imbecil, amiga. Disse que eu tinha entendido tudo errado e que gostava de mim apenas como amiga.
- Sinto muito, Suzy.
- Ah, não sinta, eu tive muita sorte, te liguei para contar isso, a sua amiga aqui é a pessoa com mais sorte no mundo. Parece que Deus me guia. Eu escrevi tantos ‘eu te amo’ no cartão, que nem sobrou espaço para colocar o nome dele. Quando ele me disse o lance de amizade e tal, na mesma hora eu pedi o cartão de volta. Agora é só guardar e usar com outro. Confesse, sou ou não uma mulher de sorte?

quarta-feira, 26 de setembro de 2007

A lenda do Menino do Cu

Essa é a lenda do menino que quando devia mostrar a bunda, terminou mostrando o cu.

Ficou conhecido como o Menino do Cu. Não que as outras pessoas não tivessem cus. Naquele luau, todos tinham cus. Mas somente o cu dele foi lembrado e para sempre eternizado em uma fotografia digital.

Ninguém sabe de onde ele veio, nem a que horas chegou. Na verdade nem do rosto dele os participantes do luau conseguiriam mais tarde lembrar. Era uma noite de lua cheia. A maré estava baixa e uma gostosa brisa soprava por Ponta Negra. Pessoas animadas e levemente alcoolizadas sorriam e cantavam, em volta de uma fogueira imaginária (já que o corpo de bombeiros não autorizou acenderem uma real). Até que alguém com uma câmera teve uma idéia primorosa. Os rapazes se juntariam e baixariam as calças, fazendo um inocente bunda-lelê, para uma fotografia divertida. Feita a foto, todos voltaram a beber e cantar, esperando o dia raiar.

Na manhã seguinte veio a surpresa chocante. No meio das imagens da farra passada, uma chamou mais atenção. Enquanto as nádegas eram nomeadas, um detalhe aterrador: no meio das bundas sorridentes, lá estava um mal-encarado cu. Escancarado, exibido, destemido. Olhos se arregalaram e queixos caíram. Ninguém sabia de onde tinha saído aquele cu. Ninguém entendia o que ele fazia ali, de quem era e se tinha sido o ânimo exaltado do dono do cu, o álcool, o desequilíbrio, ou até mesmo o calor, que fizeram ele aparecer.

Os rumores começaram. Mensagens de celular foram trocadas, e-mails foram encaminhados, todos queriam ver e saber a identidade do dono do cu. Meses se passaram, dezenas de luaus foram feitos, na esperança do Menino do Cu reaparecer, mas nunca ninguém descobriu a identidade e tudo o que ficou foi uma dúvida que nos atormentará para o resto de nossas vidas: de onde veio e para onde foi o menino do cu?